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Maria Paula Caetano da Silva

uma executiva que ajudou a tecer a rede BPW

Uma outra tecelã da rede BPW, a socióloga e executiva de um escritório da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia,  Maria Paula Caetano da Silva, ativista da União Cívica Feminina, também estava na reunião. Ela foi convidada por Maria de Lourdes.

Maria Paula após ter participado da primeira reunião, foi convidada para uma nova conversa sobre a organização, e para ser a protagonista da primeira BPW no Brasil, mas declinou por não poder conciliar com suas atividades profissionais. Por outro lado, indicou uma amiga, que foi sua companheira na União Cívica Feminina, Maria Violeta Maciel de Castro para assumir os trabalhos de implantação, e ela aceitou o convite, e um grande desafio, tecer os fios que uniria definitivamente a  rede nacional a internacional. Maria Paula, entretanto,  continuou a tecer,  ajudando na implantação da primeira associação no país, que na época era identificada localmente  pela sigla de AMNP.

A  década de  70, considerada de grande importância para a liberação da mulher,  foi o marco referencial da história da BPW no país. Na época pouco mais de 15% das mulheres brasileiras estavam no mercado de trabalho, e apenas  3% exerciam atividades empresariais. Este cenário e as dificuldades para arregimentar as mulheres ao associativismo é recordado por Maria Paula.

A organização ajudou na construção de um novo cenário, intelectualmente ativo, altamente produtivo e socialmente representativo para a mulher brasileira, que já havia saído da fase embrionária de contestação, para caminhar com passos decisivos para a defesa integral dos seus direitos. Passaram-se, no entanto, 40 anos da fundação da BPW Internacional, para que as brasileiras ingressassem na organização, iniciando pela Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de São Paulo, fundada em 1975, e que na época era conhecida pela sigla de AMNP-SP. Foi somente em 1996 que todas as associações passaram a ser identificadas por BPW, a sigla de Business Professional Women, facilitando sua identificação em todo o mundo.

Maria Paula recebeu a carta do grupo que estava à frente da BPW São Paulo, que foi enviada para a BPW Internacional relatando as dificuldades para manter a associação, e comunicou imediatamente para Amália Ruth Borges Schimidt, que apesar de não ter se engajado na  fase inicial da organização, por suas  inúmeras atividades, no campo profissional e também no voluntariado, deu uma importante colaboração para a  sua reestruturação na década de 80.

Amália Ruth  já estava desvinculada de algumas atividades no voluntariado, e  tendo conhecimento do problema, ela juntamente com Maria Paula levaram adiante a BPW São Paulo.

Maria Paula assumiu a presidência da BPW São Paulo, de 1981 a 1984, até a completa reestruturação da organização. A partir de então as eleições passaram a ocorrer anualmente, até 1998, já definindo-se a pré-eleita. O trabalho inovador da presidente trouxe grande projeção para a BPW São Paulo, que passou a conquistar espaços na mídia, nos mais representativos veículos de comunicação. Um dos eventos promovidos, em 1982, mostrou grande ousadia, e colocou a organização definitivamente num lugar de destaque.

Maria Paula  focou também na  importância da expansão dos negócios  com a abertura de novos mercados no país. Dentre seus feitos, realizou a primeira missão de pequenos negócios no país, só de mulheres,  organizando uma feira de moda em Porto Alegre,  promovida em conjunto com a Associação Comercial de São Paulo. A segunda missão ocorreu em Uberaba.  Trinta empresárias de diversos setores da economia – desde perfumaria a mobiliário e Propaganda participaram da primeira missão. A BPW começava a contribuir de forma mais efetiva para a empresária alcançar um  volume expressivo em seus  negócios, e também se integrar em novos formatos de relações comerciais.

A diplomação da BPW Brasil, na época com a sigla de FAMNP ocorreu  no dia 17 de agosto de 1987, com  a seguinte composição:  presidente, Maria Paula Caetano da Silva, primeira vice presidente, Marta   Bittar Cury,  segunda vice-presidente, Ivete Senise Ferreira,  secretária, Amália Ruth Borges Schmidt, e tesoureira, Maria Inês Fontanelle Mourão. 

Maria Paula a frente da BPW Brasil continuou a imprimir sua dinâmica fundando várias associaçõe, a maioria que até hoje fazem parte da rede. Em 1988 fundou Curitiba, no Paraná,  Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Florianópolis, em Santa Catarina. No ano de 1989 foram fundadas  Uberaba, em Minas Gerais, e Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Goiânia, Goiás e Foz do Iguacú-Paraná. Foi na sua gestão que ocorreu em  1989 a I Confam-  Convenção da Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais, que teve como anfitriã a BPW São Paulo..  A primeira Confam mostrou a força e a abrangência da representação da BPW Brasil.

Na gestão de Maria Paula o Brasil teve participação ativa em eventos internacionais, dentre eles o  XIX Congresso da BPW Internacional em Bahamas. Uma oportunidade de integração e intercâmbio culturaL.

Maria Paula  deixou mais do quer seus bons exemplos, deixou um legado. Mesmo acompanhando de longe a trajetória da organização, amou a BPW até seus últimos dias e  nunca deixará escapar de suas mãos os fios que a uniu a rede.