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Campanha mobiliza mulheres para ajudar no combate à hanseníase
Alto índice de pacientes que abandonam o tratamento da Hanseníase preocupa as autoridades de saúde do estado
O alto índice de pacientes que desistem do tratamento da hanseníase preocupa as autoridades de saúde de Mato Grosso. “Cerca de metade das pessoas diagnosticadas com a doença abandonaram o tratamento no último ano. Isso significa que, além de correrem risco de saúde, elas também podem infectar outras pessoas e aumentar ainda mais os números da doença no estado”, explica Cícero de Melo, Coordenador do Programa Estadual de Controle da Hanseníase. Hoje, Mato Grosso está em 3º lugar na lista de casos novos da doença no Brasil, com 2.543 pacientes diagnosticados em 2007 – só perde para o Maranhão, com 3.678, e o Pará, com 3.100.Um dos problemas para o controle da Hanseníase é o fato da doença ser cercada pelo preconceito. Primeiro por que atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz, causa deformidades físicas e pode até incapacitar os doentes, provocando cegueira e até amputação de membros. Depois pelo fato da população saber muito pouco sobre o seu contágio. “Ela é transmitida por meio das vias respiratórias: a saliva que sai da boca quando tossimos, espirramos ou até mesmo quando estamos falando”, explica a Técnica do Programa, Ingrid Farina. Ela conta que a falta de informação leva as pessoas a desistirem do tratamento e a não cuidarem adequadamente da família, aumentando o número de casos da doença. “Nem todos os tipos de hanseníase são transmissíveis, mas, mesmo assim, o paciente deve levar toda sua família à rede de saúde para fazer o exame, pois todos estiveram expostos ao bacilo transmissor da doença. Como muitos preferem esconder que estão com a doença, por medo do estigma, seu controle fica muito difícil”, completa.
Para tentar reverter esse quadro, uma das alternativas é buscar a ajuda dos cidadãos para divulgar melhor a importância do tratamento da doença – que é oferecido de graça em toda a rede básica de saúde. A Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais-BPW Cuiabá está mobilizando mulheres de comunidades carentes da região da Baixada Cuiabana para participar deste esforço através do projeto Água na Boca, que é realizado em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, tendo como interveniente a BPW Brasil. “Levamos esclarecimentos sobre o uso da água para estas mulheres e constatamos seu poder para disseminar informações e ajudar a mudar padrões. Então, percebemos que elas também podem ajudar no combate à hanseníase”, conta Marilise Doege Esteves, Presidente da entidade, que promoveu uma palestra em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, nesta terça-feira, 25, na Unirondon.
A proposta é que estas mulheres ajudem a diminuir o preconceito contra a doença e incentivem seus familiares e conhecidos a buscarem o diagnóstico e o tratamento correto. “Só uma grande mobilização popular pode ajudar a deter o crescimento da hanseníase. Precisamos acordar para esta realidade pois muitas vidas podem ser transformadas pelo simples gesto de se transmitir uma informação”, reforça Marilise.
Seguido corretamente, o tratamento dura no máximo um ano e, com as orientações das equipes de saúde, é possível prevenir as incapacidades e deformidades físicas. Além disso, durante o período em que toma os remédios, o paciente pode levar uma vida normal, sem precisar se afastar do trabalho ou da família. O telefone do Ministério da Saúde para mais informações é o 0800 61 1997.
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