Michelle Bachelet foi ovacionada na 3ª Conferência de Políticas para as Mulheres
"Quero agradecer ao governo brasileiro por ter me convidado para esta conferência, que é realmente um privilégio para mim. Vejo aqui mulheres de todas as idades, de muitos lugares, em nome de milhões de pessoas em torno deste grande país, como resultado de uma sociedade democrática, ampla e livre, é uma lição para todos nós”. Estas foram as primeiras palavras de Michelle Bachelet, secretária Geral Adjunta da ONU, e da ONU Mulher, na 3ª Conferência de Políticas para as Mulheres, em Brasília. A ministra da Seretaria de políticas para as Mulheres, Iriny Lopes e a ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes participaram da mesa de honra. A presidente da BPW Brasil, que representa a organização no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher-CNDM está participando ativamente deste grande acontecimento. O evento encerra neste dia 15.
A ministra Iriny Lopes, que já havia se reunido com Bachelet durante o dia, quando trocaram experiências e falaram sobre o combate à desigualdade entre homens e mulheres no mundo, limitou sua fala para agradecer a diretora da ONU Mulher, por incluir em sua agenda este momento de diálogo com delegadas e convidadas. Ïsso é uma honra para nós mulheres da América do Sul”, salientou, apontando o reconhecimento a ex-presidenta do Chile, militante e mulher de grande capacidade, que reitera em todas as suas ações o compromisso com todas as mulheres do mundo.
Bachelet disse que este ano pode ser caracterizado como o início da "quarta onda" da democracia, pois como a ONU Mulher observou nos eventos dramáticos da "primavera árabe", as mulheres estão ativamente envolvidas na nova onda de demandas por liberdade política e dignidade. “Nas ruas das capitais árabes, sentimos a presença de mulheres de todas as classes e levantando suas vozes de protesto para a democracia e cidadania”, frisou, apontando que ela teve o privilégio de assistir em Oslo, capital da Noruega, o Prémio Nobel da Paz atribuído a três mulheres, que desempenharam papéis-chave nos processos de paz de negociação dos seus países em conflito ou na conquista e ampliação das oportunidades para a ação política em ambientes hostis e adversas.
Quanto as brasileiras, Michelle destacou que as mulheres representem a maioria do eleitorado do Brasil o que considera razão, o suficiente para estar presente em todas as áreas em pé de igualdade com os homens. Para ela a eleição da presidenta Dilma, assim como a crescente presença das mulheres na tomada de decisão, no país, deve servir de inspiração para muitas mulheres, oferecendo uma oportunidade única de repensar os sistemas político e eleitoral e ajustar a esta nova realidade.
Ainda falando em poder, disse que a experiência tem nos mostrado a importância de ter um espaço adequado para tirar proveito de políticas transversais, que reúnem todas as áreas de governo sobre uma questão prioritária ao mais alto nível de governança e com um alocação orçamentária compatível. Para ela isto é instituições fortes, instalado no centro do poder, para promover o empoderamento das mulheres, a equipe técnica e recursos são essenciais para assegurar o progresso e evitar retrocessos.
Falando da pobreza e da desigualdade, Bachelet elogiou o desempenho brasileiro, ao dizer que “este grande país, que por décadas foi "o país do futuro", está dando uma lição para o mundo. Quando se constata que, nos últimos dez anos, quase 30 milhões de brasileiros sairam da pobreza e tornaram-se parte da classe média”, aponta que isso leva à conclusão de que houve muito trabalho, liderança, vontade política e investimentos. A diretora da ONU Mulher disse que no Brasil, a organização tem trabalhado no fortalecimento da formação de forças de paz no gênero, e a protecção específica das mulheres e meninas em situações de conflito e pós-conflito.
“Devo dizer que as autoridades brasileiras têm mostrado uma grande sensibilidade e abertura para este trabalho, essencial para garantir os direitos fundamentais das mulheres e meninas”.Bachelet foi ovacionada, e as participantes da Conferência gritaram por seu nome num coro de 3 mil vozes. Emocionada a diretora da ONU se dirigiu a plateia, sentindo mais de perto o calor humano da mulher brasileira.


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